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Valdemiro Gomes
valdemiro@interconect.com.br

 

 

Cidadão ético

segunda-feira, 09/08/10 - 10h03

A ética não é algo fácil de definir e exemplificar. Como definir o indivíduo ético? Cidadão ético ou basta cidadão?
Responderei com um exemplo do que julgo ser um cidadão ético. A carta que transcrevo relata um fato corriqueiro do individuo urbano. Apesar de a ação ter-se passado há mais de dez anos, julguei ético excluir os informes que facilitassem a identificação dos personagens.

........., 29 de Abril de 1998.
Ao Agente de transito:
Sra J. C. :
Uso este para esclarecer e justificar.
A Sra. policial do trânsito multou hoje o veículo ............., que usava e não me pertence, através do auto nr. ............., quando o mesmo estava estacionado na Av. Generalíssimo Deodoro. No local não me foi dado ver nenhuma placa de proibição.

Quando retornei ao veículo notei a notificação no vidro e lhe pedi para cancelar. Condicionou o cancelamento a “algo” que pudesse lhe fazer.

Podia lhe ter prendido. Não o fiz, pois sempre há como ajudar nosso próximo a encontrar seu verdadeiro caminho. O seu, como autoridade, é não só multar, mas sim, e especialmente, orientar, esclarecer, instruir, educar, para que o cidadão não volte a errar.

Disse-lhe que deixaria o “algo” no endereço onde moro em envelope.
Aqui cumpro o prometido, não com o que talvez esperasse receber, e sim como esta carta, só minha e sua. Deve rasgá-la depois de ler.

Em outra ocasião, talvez lhe possa ajudar, mas não nesta situação, pois não seria digno de minha cidadania e estaria incentivando, a uma autoridade, a uma talvez mãe, exemplo que temos que corrigir para que o amanhã possa ser melhor para nossos filhos.

Talvez a sra. venha a ficar aborrecida . Pense. Sinta sua consciência. Ouça sua voz interior. Ouça a voz DELE, que está em todos os lugares e faça deste momento um momento especial para o seu futuro.

Valeu o momento. Quem sabe um dia em outra condição eu lhe possa ajudar.

Quanto à permanência da multa, deixo à sua consciência, mas creia-me que não sabia que era proibido ali parar.
Atenciosamente.

O filosofo Aristóteles, certamente classificaria o individuo, autor da carta, de homem virtuoso, um ético, um cidadão.
O papa João Paulo II, em sua encíclica “Veritatis Splendor”, (O Esplendor da Verdade), deixou um alerta à moral e à ética, que julgo oportuno transcrever para ajudar a definir o cidadão ético: “os atos humanos são atos morais, porque exprimem e decidem bondade ou malícia do homem que os realiza. Os atos não produzem apenas uma mudança do estado das coisas externas ao homem, mas, enquanto escolhas deliberadas, qualificam moralmente a pessoa que os faz e determinam a sua profunda fisionomia espiritual...”. E mais: “... precisamos nos conscientizar de que interferimos positiva ou negativamente no universo, a cada ato que cometemos...”.

São os indivíduos éticos, os cidadãos virtuosos, que fazem o Estado ser bom, ordenado, justo.

Em tempo: a multa do caso relatado nunca foi cobrada. Os dois personagens da carta nunca mais se encontraram.

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