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Valdemiro Gomes
valdemiro@interconect.com.br

 

 

Cassinos são mais seguros que bancos

terça-feira, 23/02/10 - 10h55

No passado escrevi sobre o que penso do sistema financeiro. Escrevi sobre a moeda, focando um pouco de sua história, das necessidades, das garantias. Ousei falar de novas moedas, sonhando um dia (talvez para meus bisnetos) em que conviveremos, todos (americanos, europeus, chineses, brasileiros, angolanos...), com uma moeda única.

Nos últimos anos observo o aumento de freqüência de bolhas mercadológicas. A última, das hipotecas residenciais gripou, mais uma vez, o doente sistema financeiro mundial. As bolhas, as moedas, como os meteoros, estrelas cadentes, nebulosas e outras matérias interestelares, crescem e morrem. A mudança, como a morte, são verdades que não carregam exceções.

Não comungo com a grande maioria dos economistas, presidentes de bancos centrais e banqueiros, quando dizem que a crise do sistema financeiro está controlada, que é coisa do passado. Prefiro surfar com o Prêmio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, quando este diz que os Estados Unidos ainda não solucionaram os problemas base do setor bancário, e que os problemas de hoje são mais graves do que os que existiam em 2007, antes da crise. Prefiro mergulhar no discurso ao Congresso americano do presidente do FED, Ben Bernanke, quando defendeu como vital a proteção dos consumidores de produtos financeiros com práticas injustas e enganosas. Prefiro pescar a dúvida que a agencia de rating Moody´s coloca na manutenção do estatuto de AAA para a dívida pública americana.

Quantos trilhões já foram gastos para salvar bancos?

Quanto os Estados já gastaram para segurar o índice de desemprego e oxigenar a economia? E quando acabar a tinta e o papel da Casa da Moeda?

O epicentro da crise foi ou não foi o sistema financeiro? Quais as mudanças havidas no setor financeiro para extinguir ou mesmo atenuar suas aberrações? Até quando o lixo poderá ser jogado para baixo do tapete?

Há que haver mudanças e não só novas regulamentações. O sistema financeiro precisa mudar, resgatar sua credibilidade. No momento o que se lê é que os cassinos são mais seguros que os bancos. Cassino precisa ter dinheiro, caixa, para pagar as apostas. E os bancos?

A mudança terá que passar pelo comportamento das pessoas, não só daqueles que estão conduzindo ás máquinas, mas daquele que é passageiro, o cidadão.

Quando mudar? O que mudar? Como mudar?

Talvez volte ao tema.

Enquanto isso, transcrevo para vossa reflexão:

“Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável.

O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado"

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

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