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Jorge Calderaro

Jornalista, Escritor e Historiador
jc@acordapara.com.br
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
 

Belém do Pará 397 anos

 


 

 

 

 

Na foto vemos o complexo que deu origem a cidade de Belém.
Em primeiro plano visualizamos construções antigas e ao lado direito
o primeiro
necrotério do estado do Pará, ao fundo o Forte do Castelo
e Casa das Onze Janelas, pontos turísticos restaurados
no atual governo.

 

Belém a Capital da Amazônia

 

Preocupado em assegurar o domínio português na Região, o Rei D. João IV, ordenou a organização de uma expedição que deveria vir ao Norte e fundar um forte para combater invasores que ousassem adentrar à região, demonstrando assim, que naquela época já havia interesse de outros povos e outras nações pela Amazônia.

Tudo começou na metade do século XVI por ocasião das primeiras viagens à região, fato que motivou o colonizador português partir de São Luiz, no Maranhão, transportados em um patacho, um caravelão e uma lancha grande – “Santa Maria da Candelária", "Santa Maria da Graça" e "Assunção", onde Francisco Caldeira Castelo Branco, era acompanhado por 150 soldados em três Companhias e índios Tupinambás do Maranhão, que vinham aliciar outros grupos nativos, aportando no local originalmente chamado de terras do Mairi.

A expedição era guiada pelo francês Charles De Vaux, tendo como condutor o piloto Vicente Cochado. Após vencerem os baixos da Tijioca, chegaram defronte da Barreta, próximo à Vigia e prosseguiram até a Ilha de Colares, onde pretendiam construir uma cidade.

Mas foi em uma quinta-feira, dia 07 de janeiro de 1616 que a esquadra aportou no local onde fundaram o município, hoje conhecido como Vigia de Nazareth. Em seguida adentraram e ocuparam a foz do rio Amazonas e construíram o forte do Presépio, que originou a cidade de Nossa Senhora do Belém. O nome Presépio é em deferência à data da partida da expedição de São Luiz, em uma sexta-feira, 25 de dezembro de 1615.

A chegada foi em uma terça-feira, 12 de janeiro de 1616, marcando definitivamente a presença portuguesa em solo amazônico, fazendo assim nascer o Pará. Na época da fundação foi criado um vilarejo com 300 habitantes que deu origem a principal entrada da Amazônia, seja aérea, terrestre ou marítima, firme e forte nos seus 389 anos de existência, possui vários patrimônios históricos, e novos pontos turísticos que surgem resgatando a história e preservando a cultura, além das recentes obras idealizadas e realizadas pelo atual Governo do Estado.

Belém reflete o que se pode chamar de cidade tipicamente amazônica com uma população hospitaleira e um calor humano inigualável somente comparável ao eterno verão no qual vive a região, entretanto não se pode esquecer daquela chuvinha que periodicamente cai pela parte da tarde.

A capital do Estado do Pará é considerada uma das principais do país, e apresenta uma arquitetura marcada por um passado rico e glorioso, exemplificado nas construções das seculares igrejas como a do Carmo, das Mercês, de Santana, Basílica de Nazaré, Catedral Metropolitana da Sé no bairro da Cidade Velha.

O itinerário do turista começa pela feira do Ver-o-Peso, originado Porto Fiscal, onde em 1688, os portugueses tinham que ver o peso das mercadorias que saiam e chegavam à Amazônia para cobrarem os impostos correspondentes. Hoje tombado pelo patrimônio histórico é o cartão postal da capital paraense, o local é um dos mercados que abastece a cidade.
E, o maior presente deixado pela cultura portuguesa e pelos jesuítas que aqui catequizaram os índios e nossos ancestrais, teve inicio após o achado da pequena imagem de uma Santa, que deu origem ao Círio de Nossa Senhora Nazaré, que teve sua primeira procissão realizada no segundo domingo do mês de outubro de 1793 e continua até os dias de hoje.

UM POUCO DA BELÉM DE 1900

Texto extraído do livro sobre a vida de Severa Romana - "Santa Popular e Heroina da Honra" de minha autoria.

Entre 1880 e 1912, a cidade de Belém vivia o ciclo da borracha, período áureo da economia seringueira na Amazônia. O monopólio mundial do látex, mantido pela região nesse período, permitia investimentos, públicos e privados, e qualquer extravagância financeira à modernidade era fácil e as influências vinham mundo afora, pois, tudo acontecia na Europa, e muito de lá era assimilado pela população paraense. Segundo esses princípios Belém ergue-se altiva com prosperidade ainda que vivesse a época extrativista e monocultura.

Belém vivia os primeiros meses do século passado. Ainda se ouvia pelas avenidas e praças, ruas e travessas, becos e estradas secundárias, o rumor, o atrôo dos gritos de alegria, dos brados de satisfação com que o paraense, filho da terra, assistira à passagem do século XIX para o XX.

Estávamos em julho de 1900. Governava o Estado o Dr. José Paes de Carvalho, para uma população de cento e vinte mil almas. Belém tinha como intendente, o velho Antonio José Lemos, que era tal qual um céu aberto, segundo alguns historiadores. Uma personalidade de grande importância para o desenvolvimento da cidade, considerada a Metrópole da Amazônia, pois já administrava a capital por três anos, que perdurou até 1911, privilegiando Belém com o estilo da Art Nouveau.

Antonio Lemos foi sem dúvida um visionário, pois, pela grande sensibilidade e gosto refinado que tinha estava anos-luz à frente do seu tempo, motivando os mais diversos projetos arquitetônicos e paisagísticos, a maioria, hoje, tombados pelo patrimônio histórico. Tempos áureos da borracha que lhe legaram em melhoramentos e progresso a Belém neoclássica, a Belém das Mangueiras com seus vendedores de jasmim nas ruas e praças outrora construídas e que hoje continuam imponentes embelezando a cidade.

Nessa época era constante, as viagens de pessoas da sociedade paraense à Europa. Vivia-se a famosa época denominada de Belle Époque. Dentre os viajantes, Antonio Lemos enviava também seus assessores para estudar na Europa, os quais traziam muitas novidades do primeiro mundo para cá.

Tudo do bom e do melhor vinha da Europa, adornos, revistas, quadros, chapéus, vestidos, mobiliário tudo o que você pensar era transportado em longas viagens, onde os navios atravessavam o Atlântico, em direção a Belém, pois é o porto mais próximo da Europa, o que aumentou o potencial econômico do Pará. A fartura era grande, tudo além de barato era fácil. O preço da borracha ficava entre 5$500 e 6$500 o quilo, ilhas e sertão. O cambio estava 11 1/8, dando a libra 25$263 e o dólar 5$920. E com esta posição econômica, a Amazônia acenava a todos com a verdínea exuberante de sua opulência e de seu fastígio.

Era constante a procura de grupos heterogêneos em busca da porta do El-Dorado. Exploradores, intelectuais, cientistas, artistas, aventureiros homens do trabalho bruto e até cortesãos. Rindo a socapa, a febre amarela escolhia, dentre os adventícios, dos recém-chegados, seus eleitos para o abraço fatal da morte.

Assentada em uma área de 40.156.568 m2, o município de Belém, já em 1905, contava com 24.103.972 m2 de área edificada, o que compreendia 53 ruas e avenidas, 52 travessas, um número incalculável de “corredores" e pequenos caminhos secundários, 22 largos, 790 construções assobradadas, inclusive os palacetes, 9.152 prédios, 2.600 pequenas casas e onze grandes trapiches nos portos.

Ao centro da cidade o bairro de Nazareth, onde foi erguida uma ermida para adoração à imagem achada pelo caboclo Plácido em um igarapé. No mesmo local foi construída a Basílica de Nazareth, onde devotos religiosos prestam as mais diversas homenagens a Padroeira dos paraenses.

Isso é um dos motivos que você tem para conhecer Belém “A Capital da Amazônia”. E a partir deste enfoque você poderá acompanhar semanalmente as matérias que iremos divulgar sobre Belém e as cidades que fazem o Pará. O maior espetáculo da terra! Tenho orgulho de ser paraense...

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