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Marisa Bueloni
Pedagoga e Orientadora Educacional
marisabueloni@ig.com.br
Piracicaba - SP
 

Poema pobre

sábado, 05/06/10 - 15h25

Minha pobre poesia

é sem não-me-toques:

diz o que sente

sem retoques

Pois eu digo sem rodeios

poesia é coisa de muitos meios

A minha é pé no chão

taipa de fogão à lenha

leite tirado da vaca

sonho que se ordenha

É cheiro de grama orvalhada

som de trovoada

pulo do sapo na relva

vida renovada

Roupa de algodão

chinelinho rasteiro

dor no coração

pombos no viveiro

Pois saibam os senhores

versos sentem dores

e estou aqui

na voragem da vida

rimando sofrida

Minha poesia paulista

tem som de viola caipira

repica numa ciranda

roda de dança catira

Minha poesia é pobreza

é sandália franciscana

tem cheiro de café

arroubo de fé

e gosto de cana

Meu poema pobrezinho

não tem um vintém

não conhece ninguém

é sozinho

Vive de migalhas

de palavras contidas

veste-se de tralhas

das horas batidas

Meu pobre poema

não possui esquema

nem estratagema

nem do ovo a gema

Canta pequenino

as tristes cantigas

varre o chão de pedras

deita-se em urtigas

Meu poema pobre

sem linhagem nobre

não faz feio:

vai levando a vida

como ao mundo veio

Se me envergonho?

Nada! Até componho

qualquer um versinho:

vou pelo caminho

brada o meu poema

geme o meu pinho

Meu poema chora

pela vida afora

Mas percorre altivo

as frases solares

e rima festivo

solto pelos ares...

 
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