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Marisa Bueloni
Pedagoga e Orientadora Educacional
marisabueloni@ig.com.br
Piracicaba - SP
 

Enquanto chove...

terça-feira, 31/01/17 - 17h17

 

Quando esta crônica for publicada, o céu pode estar azul celeste, claro e límpido. Mas escrevo ouvindo o barulho da chuva, os trovões sugerindo o ruidoso caos em toda parte. Estas águas de janeiro parecem limpar e varrer a sujeira do mundo...


Chover é verbo intransitivo, de poucos modos de conjugação, está visto. Não há como dizer “eu chovo, tu choves, ele chove”. Mas há frases lindas como “chovia a cântaros naquela noite”.


A chuva é profundamente poética para quem a aprecia e entende a natureza das coisas. Quando morava no campo, amava o cheiro de terra molhada, a grama úmida, as plantas pingando em suas folhas e palmas, o céu estrelado de novo, os grilos e rãs agradecendo.


Uma vez, escrevi uma crônica sobre como aproveitar um dia de chuva dentro de casa. Da aflição que bate no peito, se temos uma tarde só para nós e começa a chover. Fazer um chá? Oh, sim, ou passar um café fresco. Pão com manteiga, o lanche dos deuses.


Pegar aquele livro maravilhoso, deitar no sofá e continuar a leitura? Também é algo precioso de se fazer. Ver um bom filme? Quem sabe. Rezar? Sim, rezar o terço meditado, conta por conta, e terminar com a Salve-Rainha.


Enquanto chove, meu coração dispara. Tento aquietar meu espírito, porque é preciso estar serena numa tarde de chuva, ouvir os seus rumores e sonhar. Belo é o som sobre o telhado, sobre o casario todo, meu pequeno jardim recebendo esta bênção divina.


Vou pegar o violão e compor nesta tarde de chuva. Talvez da inspiração brote uma digna melodia, uma canção de qualidade com versos de alguma poesia. A chuva será as pautas sonoras da minha música interior.


Já passei o café fresco. O pão integral com manteiga e uma fruta compõem a bela refeição da tarde chuvosa. Mas é preciso mais. O coração quer mais, e vou desenhar a planta de uma casa que estou projetando aos poucos, imaginando construí-la num lugarzinho de sonho.


Tomo o café, guardo o projeto e ligo o computador. Há tanta coisa para fazer ali numa tarde de chuva. Escrever, pesquisar assuntos, responder e-mails, encontrar os amigos queridos, todo mundo conectado porque a maioria está em casa, curtindo o mau tempo.


O que é bom tempo? Bom tempo é quando estamos em paz, o espírito leve, a consciência limpa. Quando já pedimos perdão a quem foi preciso pedir e carregamos a esperança nos braços. Bom tempo é quando estamos com saúde e a vida segue no seu trilho de sempre. Bendita rotina!


Nada melhor que uma tarde de chuva para olhar velhas fotos. (Ah, como eu era magrinha quando jovem. Mas até que hoje estou bem). A família na praia, meu lindo, as filhas pequenas, baldinhos, pás, peneiras para a areia, e lá no fundo aquela beleza atlântica, eterno chamado que ouço sem cessar.


Dizem que praia e chuva não combinam. Pode ser. Quem nunca se abrigou dos pingos num quiosque à beira-mar, comendo peixe frito? É maravilhoso. Tem gente que não sai da água por nada. Pode chover, a pessoa está lá pulando as ondas, feliz da vida.


Ao som da chuva, rezo e aproveito para fazer meus pedidos a Deus. Depois, agradeço por todas as graças recebidas.

 

Enquanto chove...

 
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