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Marisa Bueloni
Pedagoga e Orientadora Educacional
marisabueloni@ig.com.br
Piracicaba - SP
 

De olhos abertos

terça-feira, 23/03/10 - 12h15

Há algum tempo li numa revista o artigo de uma bióloga, abordando o “silêncio no brejo”. O texto versava sobre o desaparecimento de várias espécies de batráquios. Segundo a autora, os brejos já não produziriam os mesmos ruídos característicos, como o coaxar de sapos e rãs, por causa da gradativa extinção destes bichos.

Algumas das hipóteses levantadas, responsáveis pelo fenômeno, seriam as mudanças climáticas, o aquecimento global, as queimadas e demais ações predatórias advindas da atividade humana. Estamos vivendo tempos de grandes mudanças em nosso planeta, e muitas destas revoluções aparentemente inofensivas podem ter origem, de fato, nas diferentes atividades desenvolvidas pelo homem, ao longo dos séculos.

Recentemente, circulou na Internet um artigo do canadense Mark Mallett - cujos textos constituem uma reflexão para os sinais dos tempos - onde o autor comenta o alarmante desaparecimento de abelhas. Além deste fato, ele também se refere a uma outra constatação: o repentino sumiço de dez milhões de pássaros. “Quando o homem já não segue as leis de Deus, isto causa impacto na natureza também, talvez de uma forma que nós não compreendemos completamente”, escreve Mark. Ele termina o artigo com uma pergunta: a natureza está nos dizendo algo?

Aqui no campo, onde moro, venho notando um fenômeno interessante: quase não se veem bichos rasteiros. E isso me faz lembrar de uma mensagem profética acerca de pequenos animais como calangos, rãs, sapos, preás, ouriços e outras espécies, que “desapareceriam” num determinado tempo ou se tornariam escassos. A explicação é que esta fauna rasteira estaria fugindo, buscando a proteção das tocas, pressentindo alguma iminente manifestação da natureza – da mesma forma com que os elefantes buscaram os lugares altos, quando ocorreu o tsunami asiático. A mensagem alude à aproximação de um astro, que seria, primeiro, “pressentida” pelos animais terrestres.

Não se pode afirmar, é claro, que a aparente escassez destes bichos seja atribuída ao possível surgimento do cometa, tão citado nas profecias antigas e novas. Contudo, algo me inquieta. Quando me mudei para o campo, há 8 anos, ainda víamos alguma perereca na varanda, uma ou outra rã se debatendo na piscina após uma noite de chuva; um sapo pulando pelo gramado; calangos correndo pelos muros e calçadas lá fora. Havia preás em alguns terrenos baldios. Pode ser impressão minha, mas noto que estes bichos estão ”desaparecendo”. São meses e meses sem vê-los. No inverno, nem lagartixa se vê por aqui...

Enfim, entendo que não seja sensato associar estas observações, com ares de história natural, a algum evento de caráter catastrófico. Ao comentar este assunto com meu grupo de estudos, uma pessoa respondeu em seguida que, onde ela mora, a fauna rasteira é rica e abundante. O fenômeno é irregular e as mudanças se processam gradativamente. Creio que o leitor compreendeu.

Quando se constata que está chovendo em regiões onde a precipitação pluvial era rara; que se registra um inaudito aumento da temperatura em locais normalmente frios durante quase todo o ano; que há rios secando; que alguns locais do planeta sofreram tempestades de neve inesperadas, é sinal de que as alterações estão por toda parte. E quem estiver de olhos abertos, poderá testemunhar o início de um processo que já se mostra quase irreversível.

Para a maioria das pessoas, para os que não se interessam por estes fenômenos, tais mudanças se apresentam como que normais, naturais, integrando o variado cotidiano das notícias. O derretimento das calotas polares – um dia elas teriam mesmo de acabar derretendo... – faz parte de um distante cenário de gelo.

O homem da moderna tecnologia não tem tempo para rezar, conversar com os amigos, contemplar uma flor, apreciar um pôr de sol, brincar com o filho. A vida competitiva obriga as pessoas a se atirarem no trabalho, na luta pela sobrevivência. O dia-a-dia se torna uma rotina massacrante, sem espaço para um olhar mais além. São poucos os preocupados em diminuir o seu ritmo, na busca de compreender o que está ocorrendo. E algo está acontecendo neste exato momento.

É de olhos abertos que veremos o fascinante futuro do mundo. Se, de fato, as transformações descortinarão o venturoso tempo novo, aguardado por muitos com a alma em chamas – Novos Céus e uma Nova Terra. De olhos abertos, coração contrito, estilo de vida humilde e simples, as mãos cheias de boas obras, o espírito sereno, fé, esperança e caridade, e talvez vejamos a renovada Criação.

 
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