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Marisa Bueloni
Pedagoga e Orientadora Educacional
marisabueloni@ig.com.br
Piracicaba - SP
 

A vida em temas

segunda-feira, 13/09/10 - 18h48

Minha amiga Adélia Maria Woellner, lá do Paraná, é uma moça encantadora, advogada, professora e escritora de talento. Autora, entre tantos livros que já lançou, do belíssimo “Luzes no Espelho” – uma autobiografia cortante e de uma lucidez arrebatadora. Esta mulher forte e determinada tem sempre ótimas ideias. Acho que foi no ano passado, ela me mandou algumas palavras e alguns verbos, pedindo que eu desse uma “definição” para cada um, o que fiz prontamente.

Reli as minhas “definições” recentemente e acho que as manteria, numa boa. Soube depois que Adélia e uma outra autora, Heliana Grudzien, editaram uma coleção em 12 volumes, diversificando estes temas, obra destinada às crianças e às escolas, para ensinar os bons valores da ética e da cidadania.

Por exemplo: ser honesto é devolver o troco que recebeu a mais no supermercado; ser solidário é emprestar a matéria da escola para o amigo que faltou à aula, etc. Eis, abaixo, as “definições” que me ocorreram para cada um dos temas propostos por Adélia.

Abraçar: É trocar de alma com o outro, por um momento.
Alegria: Um instante em que o Céu desce a Terra.

Ajudar: Estender a mão e o coração.

Amizade: Uma planta delicada que poucos cultivam.

Amor: A salvação do mundo e da humanidade.

Bondade: Ir ao encontro dos rejeitados e dos que sofrem.

Bons modos: É dizer "com licença", "por favor" e "muito obrigado".

Companheirismo: Ouvir a música que o outro gosta e você detesta.

Compartilhar: Emprestar minha blusa favorita...

Compostura: Não ir de vermelho a um velório.

Compreensão: Relevar pela vigésima vez e perdoar.

Consideração: Não fumar na cara das pessoas.

Cooperação: Ser pontual, ser atencioso, ser solícito.

Coragem: Enfrentar os próprios medos.

Cuidado: Pensar mil vezes antes de abrir a boca.

Generosidade: Dar uma blusa de lã das boas a um pobre sem agasalho, que vem bater à nossa porta, numa noite chuvosa e gélida.

Gratidão: Retribuir na primeira oportunidade, custe o que custar.

Honestidade: Ir à loja no dia seguinte e informar que uma peça não foi cobrada.

Justiça: Desejar para o outro o mesmo que desejamos para nós.

Obediência: Uma atitude que envolve humildade.

Paciência: Uma árvore maravilhosa, cujos frutos são doces.

Responsabilidade: O dever antes do prazer.

Satisfação: Receber um elogio por um trabalho bem feito.

Solicitude: Prestar atenção a quem fala conosco.

Sucesso: Uma ilusão que pode ser fatal.

Depois de lidas as minhas humildes “definições” ou meras considerações acerca de cada tema, fiquei meditando um pouco. Lá no “Cuidado”, por exemplo. Disse que devemos pensar mil vezes antes de abrir a boca. Pois é. Já vi gente se descabelar, tentar suicídio, por ter dito o que não devia. Não é bom refletir antes de falar? E, se preciso, mil vezes? Tive uma cozinheira das mais sábias: “Quem fala muito, dá bom dia a cavalo”. Minha mãe, sempre: “Em boca fechada, não entra mosquito”. Meu pai: “Muito riso, pouco siso”. Ih, ih, ih...

“Bons modos”, ah, meu Deus, os bons modos de antigamente eram diferentes dos bons modos de hoje. Mas educação, elegância e refinamento são coisas que não sairão de moda nunca. O mundo pode evoluir pra caramba, mas o respeito, a gentileza e gestos comedidos sempre terão seu lugar no relacionamento entre seres humanos. E entrarão pela porta da frente.

O “Amor” - este salvará o mundo e a humanidade. Não vejo outro caminho. Até a Super Nanny sabe disso. Inteligente, ela logo percebe quando está faltando amor da parte dos pais. Então propõe mais interação, mais brincadeiras na família, para que todos se abracem, liberem o riso e se amem.

Lá em “Solicitude”, defendo a ideia de que devemos prestar atenção a quem fala conosco. Tire por você mesmo. Horrível quando estamos falando com alguém e a pessoa olha para trás, fica virando a cabeça como quem procura algo, começa a tirar uma casquinha da ferida do braço, concentrando-se naquilo com fervor. De repente, levanta a cabeça e diz: “Pois é, a prosa está boa, mas tenho que ir”.

Vai pros quintos dos infernos, cara!... Perdão, leitor.

Pronto, já estou eu aqui perdendo a compostura. Veja como precisamos desta gentileza o tempo todo. Até para contar como se escreve uma crônica cheia de zelo, de respeito para com o próximo, como quem abre uma porta delicadamente, caminhando por um corredor de tábuas corridas, pé ante pé, tentando não acordar os anjos que dormem.

E assim, a “Compreensão” pede que todos nós sejamos compreensivos. O tempo todo? Quem consegue? Ninguém. Chega uma hora em que a paciência acaba e todo mundo estoura. Mas eu conheço uma pessoa que tem este espírito de compreensão eterno e jamais se descontrola. É a minha irmã mais velha. Ela faz parte da Conferência de São Vicente, ajuda os pobres, distribui mantimentos, organiza cestas básicas para famílias carentes, tem santuário de Nossa Senhora na sala, onde toda 3ª feira, às 3 da tarde, chova ou faça sol, reúne-se um grupo de senhoras para rezar o terço. Dá para entender de onde vem tanta compreensão? Da fé.

E se a nossa querida Adélia tivesse proposto o tema da fé, eu teria tentado definir que a fé é esta crença em Deus e em nós mesmos que nos faz pessoas compreensivas, santas e fortes.

Beijão, Adélia.

 
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